Como escolher um disjuntor

O disjuntor é um dispositivo essencial para a segurança dos equipamentos e das redes elétricas. Em poucas palavras, quando detecta níveis anômalos e potencialmente perigosos de corrente, tensão ou temperatura no circuito, o disjuntor interrompe‑o, impedindo a passagem de corrente para os aparelhos e restante sistema elétrico. Nas instalações industriais, como nas residenciais, a eletricidade passa por um quadro elétrico que a distribui por vários circuitos. Cada um destes tem um disjuntor próprio, para que o circuito seja interrompido imediatamente, sem qualquer sistema intermediário, quando for detectada uma anomalia. O disjuntor evita riscos de incêndio, danos a equipamentos, intoxicação por fumaça e eletrocussão de pessoas devidos a problemas elétricos.

O disjuntor desempenha a mesma função de um fusível, mas enquanto o fusível tem de ser substituído após cada ocorrência, o disjuntor é rearmado. Quanto ao acionamento, certos disjuntores operam de forma mecânica simples, por meio da energia armazenada em molas comprimidas, outros exploram o efeito térmico ou magnético da sobrecorrente para acionar os contatos elétricos.

Existe uma grande variedade de disjuntores, cujas características variam de acordo com a tensão, a instalação, a configuração externa, a localização e o mecanismo de acionamento apropriado para a aplicação prevista.

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  • Como escolher o disjuntor adequado?

    Ao escolher um disjuntor, há que ter em consideração vários fatores.

    Em primeiro lugar, é preciso ter em atenção as características elétricas básicas da instalação:  

    • Se se trata de um circuito de corrente CA ou CC;
    • A tensão, mais precisamente a tensão máxima que possa vir a ser aplicada entre dois condutores do circuito;
    • O nível de corrente de curto-circuito, que acionará o dispositivo de proteção.

    Há, ainda, outros fatores, como as condições ambientais em que o equipamento funcionará, nomeadamente a temperatura ambiente. Estas determinarão o tipo de caixa/grau de proteção do disjuntor necessário para proteger o dispositivo de fatores como a umidade, a temperatura e a poeira.

    Entre os vários tipos de disjuntores, uma das principais diferenças é o meio que utilizam para extinguir o arco elétrico. Os meios de extinção mais comuns são o ar, o vácuo, o óleo e o hexafluoreto de enxofre, mais conhecido por gás SF6. Cada um é adequado a determinadas aplicações:

    • Disjuntores a ar para sistemas de baixa tensão; 
    • Disjuntores a vácuo para sistemas de alta tensão; 
    • Disjuntores a óleo para sistemas de média e alta tensão;
    • Disjuntores a gás SF6, os mais versáteis e amplamente utilizados na maioria sistemas de média e alta tensão pelas suas características:
      • elevada rigidez dielétrica;
      • estabilidade e condutividade térmica; 
      • alta densidade (cerca de cinco vezes superior à do ar); 
      • inércia química; 
      • não toxicidade;
      • rápida recomposição da molécula do gás após a extinção do arco.

    Outro fator a levar em conta na escolha de um disjuntor é o tipo de carga, principalmente se é estática ou dinâmica:

    • Se a carga for estática, o equipamento nunca consumirá mais do que a corrente nominal, mesmo quando funcionar em potência máxima. É o caso dos aquecedores, por exemplo.
    • Se a carga for dinâmica, a corrente de partida do equipamento poderá ser superior à nominal, como no caso de motores e transformadores.

    Dado o perigo extremo que pode resultar do uso de disjuntores defeituosos ou inadequados, é imprescindível assegurar‑se de que o dispositivo que comprar é um produto original de uma marca reconhecida, não um artigo falsificado. Sinais de mau acabamento, como imperfeições no invólucro, ou ainda corrosão nas peças metálicas e marcações ilegíveis são comuns em produtos falsificados. Na Europa, todos os dispositivos em conformidade com as normas têm a marcação CE. Também pode verificar o peso do disjuntor (em comparação com o de produtos conformes que tenha adquirido anteriormente) ou se o dispositivo tem um certificado de conformidade emitido por um laboratório autorizado ou um organismo certificador, que garanta que o produto foi testado e atende aos requisitos definidos nas normas técnicas aplicáveis.

    Relativamente às características construtivas, os disjuntores podem ser classificados como diferenciais, térmicos e eletrônicos. Nas secções seguintes, encontrará mais informações sobre o desempenho e as aplicações de cada um.

  • Quando optar por um disjuntor diferencial residual?

    Disjuntor diferencial residual EATON

    Disjuntor diferencial residual da Eaton

    Os dispositivos diferenciais residuais detectam fugas de corrente e, portanto, desarmam quando identificam uma diferença entre a corrente de entrada e de saída.

    Logo, um disjuntor diferencial residual será ativado mesmo por diferenças próximas de zero, causadas normalmente por faltas de alta impedância, como um problema de isolação, que podem não ser detectadas por outros tipos de dispositivos. 

    São bastante usados para proteger geradores e transformadores.

  • Quando optar por um disjuntor térmico?

    Disjuntor térmico Doepke

    Disjuntor térmico da Doepke

    Nos dispositivos térmicos, o calor gerado pela sobrecorrente aquece as lâminas bimetálicas conectadas ao circuito. Ao aquecerem, as lâminas deformam‑se, acionando o disjuntor. 

    O seu acionamento é, portanto, relativamente lento, mas estes disjuntores têm a vantagem de também poderem ser usados como interruptor principal para ligar e desligar o circuito. Ou seja, possuem a dupla função de manobra e de proteção do circuito.

  • Quando optar por um disjuntor eletrônico?

    Os dispositivos eletrônicos incorporam um mecanismo de acionamento que reage automaticamente à carga elétrica. O disjuntor é acionado quando o sensor capta uma sobrecorrente, causando então uma queda correspondente da tensão. 

    A vantagem desses dispositivos é que reagem quase instantaneamente, dado que o acionamento se baseia na detecção de corrente e não na expansão térmica, que é muito mais lenta.

  • Quais as vantagens do disjuntor em relação ao fusível?

    A alternativa óbvia a um disjuntor é o fusível, que tem como vantagens o custo relativamente baixo e a simplicidade. Regra geral, são as normas técnicas que determinam se se deve usar um disjuntor ou um fusível. Os disjuntores, embora mais caros e complexos, são vantajosos por diversos motivos. Indicamos, de seguida, os principais. 

    • É difícil avaliar em que condições está um fusível, uma vez que se pode deteriorar com o tempo, ao passo que o disjuntor pode ser testado periodicamente para se garantir que esteja sempre em ótimas condições de funcionamento.
    • O disjuntor reage a uma sobrecarga muito mais rapidamente do que um fusível e, portanto, é inerentemente mais eficaz na proteção de equipamentos mais sujeitos a danos por exposição prolongada a uma sobrecorrente.
    • Os disjuntores são mais fáceis e mais seguros de instalar do que os fusíveis, dado que os terminais de conexão ao circuito se encontram na parte traseira do dispositivo. Assim, o operador está protegido de qualquer risco de contato direto com o circuito.
    • O baixo custo de um único fusível não significa que o custo de todo o sistema de proteção seja mais baixo. Desde logo, um sistema elétrico trifásico funciona com três fusíveis. Quando um fusível queima, é necessário substituir os três. Como tal, é sempre preciso ter vários fusíveis sobressalentes. Além disso, as caixas porta‑fusíveis devem ser suficientemente grandes para permitir a dissipação de calor. Por último, ao contrário dos disjuntores, os fusíveis não podem ser usados adicionalmente como interruptores, pelo que é necessário comprar e instalar outros dispositivos para desempenhar essa função.
    • Os disjuntores podem fazer mais do que interromper um circuito ao atuarem como dispositivos de segurança ou interruptores. Também podem executar funções adicionais, como fornecer proteção contra falhas de aterramento, e ter outras características, como operação por controle remoto, indicador de estado, medições de potência e comunicação em rede.
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